”… até o dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência.” (Atos 23:1)
Paulo, corajosamente, disse estas palavras diante do Sinédrio, sendo julgado por ter anunciado publicamente a Jesus como Salvador dos judeus e dos gentios, razão pela qual o povo muito se enfureceu, desejando-lhe a morte. De fato, quando a multidão ouviu de sua boca que ele teria recebido o ministério de anunciar as boas novas aos gentios, disseram: “Tira do mundo tal homem, porque não convém que viva” (At 22:22). Daí, ele foi levado, soberanamente, para a fortaleza e, no dia seguinte, aos sacerdotes para que o ouvissem.
Ele iniciou seu discurso dizendo que sempre teve uma boa consciência, até mesmo, quando perseguia a igreja, por ser zeloso para com Deus. A boa consciência é a honestidade para com o nosso próprio coração e coloca em evidência a nossa integridade como pessoa e o nosso respeito diante da sociedade.
Sempre que falamos algo, somos julgados pelos que nos ouvem; e o julgamento nem sempre é justo, podendo ser tendencioso para reafirmar o que está enraigado nos corações, inclusive, “raízes de amargura”, preconceitos, apegos doutrinários, entre outros fatores que constroem fortalezas em nossas almas. A boa consciência é um coração que não nos reprova, antes nos sustenta.
Verificando as ocorrências no NT, podemos compreender que a boa consciência:
1. É uma virtude dos que andam diante de Deus (At 23:1)
2. Promove o amor (1 Tm 1:5)
3. Quando rejeitada, pode levar ao naufrágio na fé (1 Tm 1:18-19)
4. Gera o desejo de portar-nos corretamente (Hb 13:18);
5. Confunde os que falam mal de nós, pelo nosso bom procedimento em Cristo (1 Pe 3:16)
6. É verdadeiramente habilitada no batismo (1 Pe 3:21).
Por fim, convém ressaltar que a consciência, juntamente com a intuição e a comunhão, compõem as partes do nosso espírito. Por isso, ao final de cada dia, a sós com Deus, no exercício da boa consciência, devemos examinar o nosso espírito (Salmo 77:6). E nesse auto-exame, nos momentos de solitude e silêncio, é possível acontecer de nos depararmos com uma consciência intranqüila. A solução proporcionada por Deus é o arrependimento e um novo começo(mesmo o pecador arcando com todas as conseqüências). A solução proposta pelo mundo é uma consciência cauterizada (calejada), insensível ao falar de Deus e, portanto, indiferente à Sua vontade. O que está em jogo são todos os passos seguintes: andar nas trevas ou ter a luz da vida?
“Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (João 8.12).
Em Cristo,
Romualdo.