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Romualdo, mais...
Autor : Romualdo
Artigo # : 19
Audiência : Irmãos
Versão 1.00.16
Data de publicação: 29/07/2008 11:48:25
Leituras : 355

Amados irmãos,

Deus disse: "... eu também odeio" (Ap. 2:6)

Há certas coisas que o nosso Deus de amor aborrece, odeia ou detesta (gr. μισέω - miseō). Os Strong's Hebrew and Greek Dictionaries (SHGD) apresentam este termo como sendo proveniente de μῖσος (misos) com o significado de detestar (especialmente no sentido de perseguir contrariamente). Não nos escandalizemos, mas no Novo Testamento, esta palavra tão dura é utilizada por Deus em três instruções claras para que pratiquemos o ódio:

- Devemos odiar a tudo aquilo que nos impede de seguir ao Senhor, inclusive a nossa vida natural (Lc 14:26; Jo 12:25).
- Devemos odiar a iniqüidade, como Jesus o fez (Hb 1:9) e, até mesmo, a roupa manchada pela vida carnal (Jd 1:23).
- E, devemos odiar a obra dos nicolaítas (Ap 2:6) e a doutrina dos nicolaítas (Ap 2:15)

As duas primeiras instruções não nos trazem dificuldade de compreensão, mas a terceira pode acabar sendo ignorada, convertendo-se assim em iniqüidade e impedimento de seguirmos ao Senhor, verdadeiramente. Inclusive, esta última instrução é seguida da promessa do favor de Deus: "Tens, contudo, a teu favor, que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio" (Ap 2:6).

Os nicolaítas são os que aderem ou seguem a Nicolaus (Niko-laos). Não seguem a Cristo, o Cordeiro, mas a homens. Etimologicamente, é uma palavra formada por dois radicais: "Nikos" (conquistador; dominador) e "laos" (laico, leigo). Se a etimologia expressa o significado do nome, como normalmente acontece com os nomes próprios na Bíblia, o apóstolo João estaria denunciando nesta carta dirigida à igreja em Éfeso um sistema religioso estruturado em clérigos e leigos que tentava se infiltrar na igreja. Mas eles foram vitoriosos neste aspecto, pois odiaram esta obra. A igreja em Pérgamo, por sua vez, já estava contaminada por este ensino doutrinário apoiado e sustentado pela tradição, em oposição à vontade de Deus: "Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas" (Ap 2:15). Pior, ainda passava por outro sério problema: "tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão" (Ap 2:14), doutrina esta que conduzia o povo à sua destruição, por meio da idolatria. Assim, a igreja se contamina gravemente quando não aborrece estes sistemas malignos, de Balaão e dos Nicolaítas. Então, o Senhor se mostra determinado e urgente quanto a isso tudo, dizendo: "Portanto, arrepende-te; e se não, venho a ti sem demora..." (Ap 2:16).

O propósito de Deus inclui a Sua igreja sendo edificada como um reino de sacerdotes. Os dicionários (SHGD) também apresentam o termo do hebraico כּהן (kôhên) significando, literalmente, um povo inteiro exercendo o ofício de pregadores diante de Deus, palavra utilizada pelo próprio Senhor ao orientar Moisés: "Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa" (Ex 19:6a) e continua, enfatizando: "São estas as palavras que falarás" (Ex 19:6b). traduzido para o grego ̔εράτευμα (hierateuma), como declarado por Pedro: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz." (1 Pe 2:9). Somos povo de propriedade exclusiva de Deus, separados (santos) para Ele, e temos como dever e privilégio desempenhar o ministério do sacerdócio, proclamando Suas virtudes pelo transbordar da vida interior, algo totalmente orgânico. É o fluir da vida de Deus que habita em nosso espírito humano!

A igreja é a menina dos olhos de Deus, "porque a porção do Senhor é o seu povo... cuidou dele, guardando-o como a menina do seu olho" (Dt 32:10)! A menina dos olhos é a parte escura no centro do olho (pupila), que muda de tamanho de acordo com a quantidade de luz que incide sobre ela. Da mesma forma, só pode haver crescimento da vida da igreja (menina dos olhos de Deus) quando a Sua luz incide sobre ela, sem a barreira dos "que têm zelo por Deus, mas não com entendimento" (Rm 10:2). Cabe ressaltar que todos nós, instintivamente e, até mesmo por reflexo, protegemos ao máximo a nossa pupila de qualquer ameaça. Sempre temos o maior cuidado, em todo o tempo. E assim Deus faz em relação à Sua igreja, "porque aquele que tocar em vós, toca na menina do seu olho"! (Zc 2:8)

Estas doutrinas se apresentam como ameaça real à pupila de Deus, pois, enquanto a doutrina de Balaão se encarrega de afastar os cristãos da pessoa de Cristo, pela idolatria, a doutrina dos nicolaítas desvia os cristãos de sua função essencial no Corpo de Cristo, o sacerdócio. Sutilmente se insinuam como sendo a maneira apropriada de executar a obra de Deus. Mas, pelo contrário, caracterizam uma fuga de seu propósito central. Daí a vida fica estagnada e o seu fluir cessa, "porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas." (Jr 2:13) (Leia também, neste blog: "Dois Males" )

Oremos, então, com as palavras do salmista, que nos vem oportunamente:

"Ouve, Senhor... atende ao meu clamor... dá ouvidos à minha oração... guarda-me como a menina dos olhos" (Sl 17:1-8).

Louvado seja o Senhor!

Nele,

Romualdo.

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