Amados irmãos,
Assim como o Senhor Jesus resumiu todos os mandamentos em apenas dois: (1) Amar a Deus e (2) amar ao próximo (Mt 22:36-39), pois "destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas" (Mt 22:40); talvez seja possível resumir toda a maldade humana, também, em apenas duas: (1) abandonar a Deus e, (2) cavar cisternas que não retêm as águas, i.e., providenciar substitutos à vida divina abandonada: "Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas." (Jr 2:13)
Em seu comentário na Bíblia Vida Nova, Shedd entende as cisternas rotas como sendo "doutrinas e esperanças que não constam na palavra de Deus". De fato, de Gênesis a Apocalipse podemos identificar estes dois males acompanhando o homem.
Logo de início, no livro de Gênesis, não teria sido este o pecado de Adão? Abandonou a Deus, ao desprezar a árvore da vida; e cavou cisternas rotas, ao comer do fruto proibido da árvore do conhecimento do bem e do mal. (Gn 2:16-17; 3)
Ao final, em Apocalipse, os dois grandes males cometidos pelo povo de Deus também foram semelhantes: abandonou a Deus: "Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor" (Ap 2:4) e cavou cisternas rotas: "tens aí os que sustentam a doutrina de Balaão... também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos nicolaítas" (Ap 2:14-15). A "cisterna" de Balaão introduz a idolatria, afastando o povo da pessoa de Deus; e a "cisterna" dos nicolaítas inviabiliza a função sacerdotal de cada membro do corpo de Cristo (mais detalhes sobre estas doutrinas neste mesmo blog, sob o título: Deus disse: "... eu também odeio").
Diante desta terrível queda, o que cabe ao povo de Deus? "Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras" (Ap 2:5)
As cisternas das doutrinas vãs de Balaão e dos nicolaítas não podem reter as águas, por mais que haja empenho neste sentido. Portanto, "Quanto a mim, bom é estar junto a Deus" (Sl 73:28), pois disse Jesus: "Quem crê em mim... do seu interior fluirão rios de água viva".
No amor de Cristo,
Romualdo.