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Romualdo, mais...
Autor : Romualdo
Artigo # : 25
Audiência : Irmãos
Versão 1.00.05
Data de publicação: 15/12/2008 11:11:50
Leituras : 273

"Então, o reino dos céus... é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens: a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem.

O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco; da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois; mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.

Ora, depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e ajustou contas com eles.

Então chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Chegando também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei. Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.

Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu. Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não joeirei? Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros. Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos. Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado. E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes."
(Mt 25:1, 14-30)


Esta parábola diz respeito ao reino dos céus. Em resumo, é a história de um homem que precisou ausentar-se do país e contou com seus servos para cuidarem de seus bens durante sua ausência. Assim, um recebeu uma quantia x, outro 2x e, ainda outro, 5x, conforme a capacidade de gestão de cada um.

Depois de muito tempo, o homem voltou e passou a ajustar contas com os seus servos. Os que receberam 2x e 5x fizeram bons investimentos e retornaram-lhe o dobro. Porém, o que recebeu 1x nada fez senão enterrar para devolver-lhe a mesma quantia. No ajuste de contas, os que receberam mais, foram tidos por fiéis, pois valorizaram o que receberam. Mas, o que recebeu menos, foi consiederado infiel, desprezando o que tinha recebido. Por isso, foi-lhe tirado o seu 1x e dado ao que tinha mais e ele ficou sem nada.

O "homem" é Cristo, que estava a ponto de ir à cruz morrer pelos pecadores. De fato, nos capítulos seguintes (Mt 26:47 e Mt 27:33-44) Jesus é preso e crucificado. Então, ausentar-se do país, era o fato de Cristo estar sendo cortado da terra dos viventes.

Os "servos" são os cristãos, os filhos de Deus, separados (santos) para Ele (1 Co 7:22-23), que mesmo sendo escravos, são livres no Senhor "e assim também o que foi chamado sendo livre, escravo é de Cristo. Por preço fostes comprados; não vos façais escravos de homens." (1 Co 7:22,23).

Os "bens" são a "riqueza da glória de Cristo", a saber, Sua igreja (Ef 1:18-23) que foi confiada a nós mesmos. Sim, a igreja é a maior riqueza de Cristo, a sua esperança da glória!

A questão do investimento dos servos é retratada no que fizeram com os talentos que receberam. Um talento equivale a 6 mil denários, sendo que um denário era uma moeda de prata usada pelos romanos para o pagamento de um dia de trabalho. Assim, o que menos recebeu, recebeu o valor bruto equivalente a mais de 16 anos de trabalho diário em dedicação exclusiva. O que mais recebeu, a 82 anos de trabalho, ou seja toda uma vida. Deus conhece e respeita a capacidade individual de lidarmos com suas incumbências.

"Negociar" os talentos significa usar os dons para edificar a igreja.

"Enterrar" o talento significa envolver-se com as coisas terrenais, com o mundo, amando as coisas (passageiras) que há no mundo (1 Jo 2:15).

"Muito tempo" se passou até que o homem voltasse de sua "viagem". Este é o período que se inicia com a morte e ressurreição de Cristo até a Sua segunda vinda (1 Ts 4:16).

"Ajustar contas" refere-se ao tribunal de Cristo, quando todos serão argüídos de suas obras (2 Co 5:10; Rm 14:10).

Quanto à recompensa no ajuste de contas, "pouco" é o quanto Deus requer de nós nesta era. E, "sobre o muito te colocarei" significa a autoridade que será dada no reino vindouro aos que Lhe forem fiéis nesta era.

"Entra no gozo" é o desfrute do Senhor no reino vindouro, na verdade, que se traduz no verdadeiro galardão.

O servo de um talento não conhecia a Deus na intimidade, pois O tinha como severo, sendo que Deus é o próprio amor. Assim, acabou desenvolvendo um relacionamento baseado no medo e não no prazer. O relacionamento do servo de um talento é apenas religioso, sem qualquer realidade. São pessoas sem compromisso com Deus, mornas, que investem tudo neste mundo. Por fim, são lançadas nas trevas exteriores, que, apesar de não significar a eternidade distante de Deus, representará a sua não participação no reino milenar.

O Efeito Mateus é, então, o fenômeno de que ao que muito tem, mais lhe será dado e ao que pouco tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Ao que vive hoje uma vida consagrada ao Senhor, este será útil no Reino. Os que têm pouca ou nenhuma participação hoje, este pouco envolvimento será de todo desprezado. O convite está aberto para que busquemos intimidade com o nosso Deus, pois, "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que O amam!" (1 Co 2:9).

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