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Autor : Romualdo
Artigo # : 31
Audiência : Irmãos
Versão 1.00.05
Data de publicação: 02/04/2009 09:19:03
Leituras : 356

Leitura bíblica:
Apocalipse 2:12-17 (Igreja em Pérgamo)
Mateus 13:31-32 (Parábola do Grão de Mostarda)

Amados irmãos,

A terceira igreja em Apocalipse, Pérgamo, que significa “matrimônio” e “torre fortificada” tem forte conexão com a terceira parábola do Reino, a parábola do grão de mostarda (Mt 13:31-32).

Nas três primeiras parábolas de Mateus 13, temos respectivamente: o grão de trigo, o grão de trigo (novamente), e o grão de mostarda. Estas sementes viabilizam a produção de alimento, indicando que a característica principal no Reino (igreja) é alimentar as pessoas com a própria pessoa de Cristo, a boa semente, a semente divina (1 Jo 3:9), incorruptível (1 Pe 1:22-25) que produz o fruto do espírito (Gl 5:22) em nosso interior.

Na parábola do grão de mostarda, a semente tornou-se hortaliça e, por uma anomalia de crescimento, veio a se tornar árvore, como uma “torre fortificada”. Lembremo-nos da ordem do Senhor: toda planta deve dar fruto conforme sua espécie (Gn 1:11-12). Árvore de mostarda expressava um crescimento totalmente anormal. O crescimento normal da igreja ocorre no viver diário, quando o próprio Senhor vai incorporando dia a dia os que vão sendo salvos (At 2:42).

Aquelas aves se aninhavam nos ramos daquela árvore estranha, que eram as pessoas que davam suporte e guarida a elas. Mas, as aves provinham do Maligno, roubando o alimento espiritual e o desfrute de Cristo, a exemplo das aves na parábola do semeador, que comiam as sementes que caíam à beira do caminho (Mt 13:4, 19).

A mostarda é uma hortaliça anual, mas como árvore se torna perene. A igreja, como a mostarda, deve ser peregrina sobre a terra, não devendo se ocupar com a fixação, mas, pelo contrário, com o fluir de vida, como os raminhos da videira verdadeira (Jo 15), que se estendem sobre os muros, as barreiras que se formam no caminho (Gn 49:22). A expansão deve ser orgânica e não organizacional.

Historicamente, esta anomalia de crescimento ocorreu na primeira parte do sec. IV, quando Constantino conseguiu introduzir o mundo na igreja, dando início ao cristianismo como sistema, sendo que o acrescentar à igreja já não era da parte de Deus, mas do próprio homem, pela obtenção de benefícios políticos. Foi uma guinada na estratégia de Satanás, saindo da perseguição para a mundanização da igreja, um matrimônio duradouro, que só terá o seu fim no julgamento de Babilônia.  Como torre fortificada (árvore), o cristianismo como sistema se arraigou na terra, nos rudimentos do mundo, tornando-se grande em aparência, mas com pouca expressão da vida de Deus.

Apocalipse 2:12

"Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes" 
(Ap 2:12)

Pérgamo significa “matrimônio” e “torre fortificada”, representada pela grande árvore de mostarda. Este matrimônio fortemente consolidado constitui fornicação espiritual.

Apocalipse 2:13

“Sei onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; mas reténs o meu nome e não negaste a minha fé, mesmo nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.” 
(Ap 2:13)

O local do trono de Satanás é no mundo, o lugar onde mora e a esfera onde reina. Surge então, no seio da igreja, Antipas, “contra tudo”, fiel testemunha e mártir do Senhor, que possibilitou a outros que não abandonassem o nome do Senhor e a fé apropriada.

Apocalipse 2:14

"Entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem." 
(Ap 2:14).

Enquanto o Senhor alimenta (Jo 6:35; 1 Co 3:2; Jo 6:57; Mt 4:4; Hb 5:12-14), a religião infunde doutrina de homens, no caso de Apocalipse, temos a doutrina de Balaão (Ap 2:14); a doutrina dos Nicolaítas (Ap 2:15); o ensino e sedução de Jezabel (Ap 2:20); e até mesmo a doutrina das profundezas de Satanás (Ap 2:24). Muito pelo contrário, a vida adequada da igreja é alimentar o homem, seja no jardim, no deserto ou em Canaã, a boa terra, a exemplo respectivamente do fruto da Árvore da Vida (Ap 2:7; Gn 2:8-9, 16); do maná escondido (Ap 2:17; Ex 16:14-16,31); da riqueza do banquete do Cordeiro Pascal, em novidade de vida (Ap 3:20; Js 5:10-12).

O ensinamento de Balaão na igreja promove a distração e o afastamento do povo de Deus da pessoa de Cristo, pela idolatria e fornicação, inclusive por salário, pagando-se para se ouvir o que é mais conveniente ao homem (Nm 25:1-3; 31:16). As obras são do homem para o homem e a palavra se desvia totalmente da centralidade em Cristo.

A degradação histórica da igreja fez com que o povo de Deus deixasse de comer a Cristo como alimento (Jo 6:57) e passasse a recorrer a ensinos doutrinários para adquirir conhecimento da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. O Senhor nos chama a mudar de árvore!

Apocalipse 2:15

"Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas" (Ap 2:15)

A doutrina dos Nicolaítas, os dominadores de leigos (Nikos = dominadores + Laicos = leigos) que no início (igreja em Éfeso) foi combatida como obra, acabou prevalecendo e se tornando ensino dentro da igreja. Esta doutrina maligna destrói a função dos membros no Corpo.

(Sobre os Nicolaítas e Balaão, siga este link: http://www.webkayros.com/portal/modules/AMS/article.php?storyid=19)

Apocalipse 2:16

"Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca"
  (Ap 2:16)

O Senhor adverte que Ele mesmo combaterá todas estas doutrinas impregnadas em Sua igreja.

Apocalipse 2:17

"Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe"
  (Ap 2:17)

Na igreja em Éfeso, vencer sigfinicava voltar ao primeiro amor. Na igreja em Esmirna, vencer era sair vitorioso sobre o sofrimento. Aqui, na igreja em Pérgamo, vencer significa vencer a união da igreja com o mundo (ser como Antipas), o ensinamento de idolatria e fornicação, e a disfunção dos membros do Corpo.

O maná é Cristo como alimento que capacita o povo a seguir o caminho de Deus. Uma porcão foi preservada em uma urna de ouro (Ex 16:32-34; Hb 9:4), que é o maná escondido, ou seja, o Cristo escondido, porção especial aos que O buscam mais profundamente.

O material de edificação de Satanás são tijolos, em substituição a pedras (Gn 11:3). Tijolos são feitos de barro, do pó da terra. O pó da terra representa o homem natural, e pó é o alimento diário da serpente (Gn 3:14).

O material de edificação de Deus são pedras vivas (Mt 16:18, 1 Pe 2:5, 1 Co 3:12). Altares de tijolos eram construídos para os ídolos. Os altares deveriam ser de pedras (Ex 20:25), mas o povo oferecia orações em altares de tijolos (Is 65:3). A oração aceitável ao Senhor passa pelo altar do holocausto (cruz) e sobe como aroma agradável ao Senhor (Ap 8:3-5).

A pedrinha branca é um prêmio para os que foram regenerados e investem suas vidas em experiências pessoais de aprovação diante do Senhor, garantindo-lhes um nome novo, não do homem natural, mas de pessoas que foram transformadas de glória em glória (2 Co 3:18).

Louvado seja o Senhor!

Em Cristo,

Romualdo.


Referências:
www.versaorestauracao.com.br


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